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Marcio Lopes é Chef de Cozinha, professor e consultor na área de gastronomia.

Quero todo dia aprender com vocês.

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domingo, 9 de janeiro de 2011

Iemanja -Comida de Santo - A Nossa Cultura é assim.


Este vídeo, demonstra muito a nossa cultura Africana, por mais que pesquisamos descobrimos a nossa cultura entalhada nos navios negreiros. A cada navio em terras Brasilis um destino e um Karma. A nossa cultura gastronômica passa por um povo valente e de coragem que a cada gota de sangue que derramou nesse solo também mostrou um amor acima de tudo pela sua identidade, deixando suas raízes neste solo e a cada dia vocês estão cada vez mais envoltos neste mistério sendo na comida, na cultura e até na religião.
Que Iyemanjá, proteja a todos e derramem suas gotas do mar sobre vocês. 


Iyemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja "Iemanjá" ou Yemoja, é um orixá africano, cujo nome deriva da expressão Iorubá "Yèyé omo ejá" ("Mãe cujos filhos são peixes"), identificada no jogo do merindilogun pelos odu ejibe e ossá, representado materialmente e imaterial pelo candomblé, através do assentamento sagrado denominado igba yemanja.

Africa
Na Mitologia Yoruba, a dona do mar é Olokun que é mãe de Yemanjá, ambas de origem Egbá.
Yemojá, que é saudada como Odò (rio) ìyá (mãe) pelo povo Egbá, por sua ligação com Olokun, Orixá do mar (masculino (em Benin) ou feminino (em Ifé)), muitas vezes é referida como sendo a rainha do mar em outros países. Cultuada no rio Ògùn em Abeokuta

História
Pierre Verger no livro Dieux D'Afrique registrou: "Iemanjá, é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemanja. Com as guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokuta, no início do século XIX. Não lhes foi possível levar o rio, mas, transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do axé da divindade, e o rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Iemanjá. Este rio Ògùn não deve, entretanto, ser confundido com Ògún, o orixá do ferro e dos ferreiros."

Brasil

No Brasil, a orixá goza de grande popularidade entre os seguidores de religiões afro-brasileiras, e até por membros de religiões distintas.

Em Salvador, ocorre anualmente, no dia 2 de Fevereiro, a maior festa do país em homenagem à "Rainha do Mar". A celebração envolve milhares de pessoas que, trajadas de branco, saem em procissão até ao templo-mor, localizado próximo à foz do rio Vermelho, onde depositam variedades de oferendas, tais como espelhos, bijuterias, comidas, perfumes e toda sorte de agrados.

Outra festa importante dedicada a Iemanjá ocorre durante a passagem de ano no Rio de Janeiro. Milhares de pessoas comparecem e depositam no mar oferendas para a divindade. A celebração também inclui o tradicional "Banho de pipoca" e as sete ondas que os fiéis, ou até mesmo seguidores de outras religiões, pulam como forma de pedir sorte à Orixá.

Na Umbanda, é considerada a divindade do mar, além de ser a deusa padroeira dos náufragos, mãe de todas as cabeças humanas.

Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta   — Jorge Amado

Além da grande diversidade de nomes africanos pelos quais Iemanjá é conhecida, a forma portuguesa Janaína também é utilizada, embora em raras ocasiões. A alcunha, criada durante a escravidão, foi a maneira mais branda de "sincretismo" encontrada pelos negros para a perpetuação de seus cultos tradicionais sem a intervenção de seus senhores, que consideravam inadimissíveis tais "manifestações pagãs" em suas propriedades. Embora tal invocação tenha caído em desuso, várias composições de autoria popular foram realizadas de forma a saudar a "Janaína do Mar" e como canções litúrgicas.

Pela primeira vez em dois de Fevereiro de 2010 uma escultura de uma sereia negra, criada pelo artista plástico Washington Santana, foi escolhida para representação de Iemanjá no grande e tradicional presente da festa do Rio Vermelho, Salvador, Bahia em homenagem à Àfrica e a religião afrodescendente.

Arquétipo

Seus filhos e filhas são serenos, maternais, sinceros e ajudam a todos sem excessão. Gostam muito de ordem, hierarquia e disciplina. São ingênuos e calmos até demais, mas quando se enfurecem são como as ondas do mar, que batem sem saber onde vai parar. São vaidosos mais com os cabelos. Suas filhas sabem seduzir e encantar com a beleza e mistérios de uma sereia. Geralmente as filhas de Iemanjá tem dificuldade em ter filhos, pois já são mães de coração de todos.

Qualidades

Yemowô - que na África é mulher de Oxalá,
Iyamassê - é a mãe de Sàngó,
Yewa - rio africano paralelo ao rio Ògún e que frequentemente é confundido em algumas lendas com Yemanjá,
Olossa - lagoa africana na qual desaguam os rios Yewa e Ògún,
Iemanjá Ogunté - que casa com Ògún Alagbedé,
Iemanjá Asèssu - muito voluntariosa e respeitável,
Iemanjá Saba ou Assabá - está sempre fiando algodão é a mais jovem.

• Dia: Sábado.
• Data: 2 de fevereiro.
• Metal: prata e prateados.
• Cor: prata transparente, azul, verde água e branco.
• Comida: manjar branco, acaçá, peixe de água salgada, bolo de arroz, ebôya, ebô e vários tipos de furá.
• Arquétipo dos seus filhos: voluntarioso, fortes, rigorosos, protetores, caridosos, solidários em extremo, ingênuos, amigo, tímido, vaidosos com os cabelos principalmente, altivos, temperamentais, algumas vezes impetuosos e dominadores, e tem um certo medo do mar.
• Símbolos: abebé prateado, alfange, agadá, obé, peixe, couraça, adê, braceletes, e pulseiras.

Sincretismo
Oferenda para Iemanjá.

Existe um sincretismo entre a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da Mitologia Africana Iemanjá. Em alguns momentos, inclusive festas em homenagem as duas se fundem. No Brasil, tanto Nossa Senhora dos Navegantes como Iemanjá tem sua data festiva no dia 2 de fevereiro. Costuma-se festejar o dia que lhe é dedicado, com uma grande procissão fluvial.

Uma das maiores festas ocorre em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, devido ao sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes. No mesmo estado, em Pelotas a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes vai até o Porto de Pelotas. Antes do encerramento da festividade católica acontece um dos momentos mais marcantes da festa de Nossa Senhora dos Navegantes em Pelotas, que em 2008 chegou à 77ª edição. As embarcações param e são recepcionadas por umbandistas que carregavam a imagem de Iemanjá, proporcionando um encontro ecumênico assistido da orla por várias pessoas.

No dia 8 de dezembro, outra festa é realizada à beira mar baiana: a Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Esse dia, 8 de dezembro, é dedicado à padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição da Praia, sendo feriado municipal em Salvador. Também nesta data é realizado, na Pedra Furada, no Monte Serrat em Salvador, o presente de Iemanjá, uma manifestação popular que tem origem na devoção dos pescadores locais à Rainha do Mar - também conhecida como Janaína

Na capital da Paraíba, a cidade de João Pessoa, o feriado municipal consagrado a Nossa Senhora da Conceição, 8 de dezembro, é o dia de tradicional festa em homenagem a Iemanjá. Todos os anos, na Praia de Tambaú, instala-se um palco circular cercado de bandeiras e fitas azuis e brancas ao redor do qual se aglomeram fiéis oriundos de várias partes do Estado e curiosos para assistir ao desfile dos orixás e, principalmente, da homenageada. Pela praia, encontram-se buracos com velas acesas, flores e presentes. Em 2008, segundo os organizadores da festa, 100 mil pessoas compareceram ao local.

Festa do Rio Vermelho

A tradicional Festa de Iemanjá na cidade de Salvador, capital da Bahia, tem lugar na praia do Rio Vermelho todo dia 2 de Fevereiro. Na mesma data, Iemanjá também é cultuada em diversas outras praias brasileiras, onde lhe são ofertadas velas e flores, lançadas ao mar em pequenos barcos artesanais.

A festa católica acontece na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Cidade Baixa, enquanto os terreiros de Candomblé e Umbanda fazem divisões cercadas com cordas, fitas e flores nas praias, delimitando espaço para as casas de santo que realizarão seus trabalhos na areia.

No Brasil, Iemanjá na versão de Pierre Verger, representa a mãe que protege os filhos a qualquer custo, a mãe de vários filhos, ou vários peixes, que adora cuidar de crianças e animais domésticos.

Cuba

Em Cuba, Yemayá também possui as cores azul e branca, é uma rainha do mar negra, assume o nome cristão de La Virgen de la Regla e faz parte da Santeria como santa padroeira dos portos de Havana.

Lydia Cabrera fala em sete nomes igualmente, especificando bem que apenas uma Iemanjá existe, à qual se chega por sete caminhos. Seu nome indica o lugar onde ela se encontra.

Acontecimentos extraordinários

• No ano de 2008, dia 2 de fevereiro, a Festa de Iemanjá do Rio Vermelho na Bahia, coincidiu com o Carnaval. Os desfiles de Trios elétricos foram desviados da região até o fim da tarde, para que as duas festas acontecessem ao mesmo tempo.

• Antecedendo o réveillon de 2008, devotos da Orixa das águas, estiveram nesse momento, com suas preces dirigidas a um arranha-céus, em forma de um monólito negro, na praia do Leme em Copacabana onde era costume, no último minuto do ano, surgir uma cascata de fogo, no topo desse monólito, iluminando o entorno bem como as oferendas.

• Todo réveillon, principalmente na Cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Copacabana, milhares de pessoas se reúnem para cantar e presentear Iemanjá, jogando presentes e rosas no mar.



Receita de Acaça de Leite
Oferecido para Iemanjá

Ingredientes

1/2 kg de milho branco para farinha de ebô
Leite de 1 coco
Chá de erva-doce para aromatizar
Açúcar a gosto
Folhas de bananeira passadas na chama do fogão para amolecerem

Preparo
Deixe o milho de molho em água e depois quebre-o. Mantenha-o de molho por quatro dias, sempre trocando a água. Escorra, deixe secar e passe no moinho.
Peneire para obter a farinha de milho branco, ou farinha de ebo.
Rale o coco e esprema-o, para tirar o leite grosso.
Depois acrescente água quente e esprema novamente, para extrair o leite fino.
Faça um chá forte de erva-doce e misture-o ao leite de coco, que deve ficar bem aromatizado pelo chá.
Dissolva a farinha de milho no leite de coco aromatizado, adoce e leve ao fogo, mexendo, até obter um angu consistente (ecó).
Enrole porções do angu em folhas de bananeira e, antes de servir, deixe esfriar em temperatura ambiente.



Nossa cultura não deve se apagar.


Chef Marcio Lopes "sempre com vocês."

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ogum - Comida de Santo - O Brasil é assim. Ainda Bem - Axe a todos



Assim que percebi que hoje era a primeira sexta feira do ano, percebi que não podia deixar de agradecer a todos o meus amigos. E desejar um bom ano cheio de saúde, paz e muitas felicidades a todos. E pedir muito AXE para todos vocês. A todos amigos muito AXE.

Quem é Ogum


Na mitologia yorubana, Ogun é um orixá filho, ou eborá. Olokun, senhor dos oceanos, e Oduduwa, orixá mais importante dessa cultura, são seus pais, ou criadores. Existem outras vertentes de conhecimento que dizem ser Ogun, filho de Orinshala (Oxalá) e Oduduwa, ou ainda Yemonjá e Oxalá.

Ogun é o que vem primeiro, o que está sempre à frente, um líder nato. Ele conhece e domina todos os caminhos, por isso nunca se perde e está sempre ajudando, quando corretamente evocado. É o deus do ferro, dos ferreiros e de todos que utilizam esse metal. Força da natureza que se faz presente nos momentos de impacto e nos momentos fortes. Considerado como um orixá impiedoso e cruel, temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos, ele até pode passar esta imagem, mas também sabe ser dócil e amável. É a vida em sua plenitude.É orixá da guerra. Seu nome, significa luta, batalha, briga. Os lugares consagrados a Ogum ficam ao ar livre, na entrada das casas e terreiros. Seus assentamentos geralmente são pedras em forma de bigorna junto às árvores. Ogum é representado também por franjas de palmeira ou dendezeiro desfiadas chamadas mariwo que penduradas nas portas ou janelas, representam proteção, cortando as más influências e protegendo contra pessoas indesejáveis. Sem sua permissão e proteção, nenhuma atividade útil, tanto no espaço urbano como no campo, poderia ser aproveitada. Além de poderoso guerreiro, é também um exímio caçador, assim como Odé, seu irmão. Ogun, que conhece os caminhos como ninguém, sabe onde encontrar sua caça. Ele não fica parado esperando, vai atrás dela, até conseguir capturá-la.

Lendas sobre Ogum
"Oya vivia com Ogum antes de ser mulher de Xangô. Ela ajudava Ogum no seu trabalho, carregava seus instrumentos, manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia Ogum deu a Oyá uma vara de ferro igual à que lhe pertencia, que tinha o poder de dividir os homens em sete partes e as mulheres em nove, caso estas se tocassem em uma briga. Xangô gostava de se sentar perto da forja para apreciar Ogum bater o ferro e sempre lançava olhares a Oyá e ela por sua vez, também lançava olhares a Xangô. Xangô era muito elegante. Sua imponência e seu poder impressionaram Oyá. Um dia Oyá e Xangô fugiram e Ogum lançou-se em perseguição deles. Encontrando os fugitivos, brandiu sua vara mágica, Oyá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. E assim que Ogum foi dividido em sete partes e Oyá em nove, recebeu o nome de Ògún Mejé e ela o de Iansâ".

O Vatapá é uma das comidas oferecidas a Ogum

Ingredientes
700 gr de bacalhau (pode substituir por postas de peixes)
1 cebola grande(150g) cortado em pedaços
2 dentes de alho
2 tomates grandes(300g)sem pele e sem sementes, cortado em pedaços.
1 pimentão vermelho médio(120g)sem sementes, cortados em pedaço.
¾ xícara de folhas de coentro
2 pães de forma(cerca de 700gr) sem casca(pode ser outro tipo de pão mas amanhecido e sem casca)
1 xícara(240ml) de água
3 xícaras(720ml)de leite de coco
½ xícara(120ml) de azeite-de-dendê
1 xícara (75g) de camarões secos, sem casca e sem cabeças.
2 colheres(sopa)(40g) de gengibre fresco ralado
1 xícara(140g) de castanhas de caju picadas
Sal e pimenta do reino a gosto

Como fazer

Coloque o bacalhau numa tigela, cubra com água fria e deixe de molho por 36 horas, trocando a água 3 a 4 vezes(deixe a tigela na geladeira). No dia seguinte, escorra o bacalhau e elimine a pele e as espinhas.
Passe o bacalhau na maquina de moer o no processador de alimentos junto com a cebola, os dentes de alho, os tomates, os pimentões e as folhas de coentro. Coloque a mistura numa tigela, cubra com filme plástico e deixe pegar gosto.
Enquanto isso, numa tigela grande, esmigalhe o pão com as mãos. Umedeça com a água e 1 xícara do leite de coco e deixe de molho por, no mínimo, 30 minutos. Coloque o pão no copo do liquidificador, bata em velocidade alta ate triturar bem e passe para um tigela.
Numa panela grande, coloque o azeite-de-dendê, leve ao fogo alto, deixe aquecer e junte a mistura de bacalhau e camarões secos. Cozinhe, mexendo de vez em quando com uma colher de pau, por 15 a 20 minutos.
Acrescente o pão e o leite de coco restante, e continue a cozinhar, mexendo sempre, ate surgirem bolhas na superfície da mistura. Junte o gengibre e as castanhas de caju, cozinhe por mais 5 minutos, verifique o tempero e acrescente sal e pimenta a gosto, tire do fogo, passe para uma tigela de barro, de preferência, e leve a mesa.

Chef Marcio Lopes "sempre com vocês" divulgando a cultura brasileira

Muito Axe, para meus amigos.

O Chef Fala: Digno de nota é o Vatapá de carne de porco, cuja receita original foi publicada em "Cozinheiro Imperial", Rio de Janeiro, atestando a riqueza deste prato festejado só varias roupagens.

O vatapá pode ser feito com galinha ou com sobras de peixe como robalo, badejo ou namorado. igualmente se pode usar o bacalhau. Quanto à técnica do preparo, guarda uma semelhança com a açorda portuguesa, mas é o azeite de dendê africano que lhe dá o dourado característico e é a castanha de caju juntamente com o amendoim que lhe emprestam o charme brasileiro deste prato. Já dizia Câmara Cascudo: "O Vatapá continua evoluindo, complicando-se na elaboração culinária......ele está crescendo".

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A Herança Africana - A comida dos santos

Quando falamos de comida dos santos, temos que ter em mente que é uma mistura da comida ritual com a comida brasileira que teve influencia da culinária Africana e Portuguesa, para entender melhor segue as definições e algumas receitas para conhecimento e deleite.
Comida ritual
Comida ritual, nas religiões consideradas afro brasileiras, são as comidas específicas de cada Orixá, cujo preparo requer um verdadeiro ritual. Esses alimentos depois de prontos são oferecidos aos Orixás acompanhados de rezas e cantigas. Durante a festa ou no final, em grande parte são distribuídas para todos os presentes. São chamadas comida de axé, pois se acredita que o Orixá aceitou a oferenda e impregnou de axé as mesmas.
A Iyabassê é a pessoa responsável por cumprir esse ritual. Existem Orixás que não aceitam comidas com azeite de dendê, outros não aceitam mel, outros não aceitam sal, outros não aceitam camarão, etc... A Iyabassê é responsável por saber exatamente como se prepara cada uma dessas comidas, para que elas sejam aceitas pelos Orixás respectivos.
Abará oferecido a todos os orixás
Acaçá oferecido a todos os orixás
Acarajé oferecido principalmente a Exu, Iansã, Ogum e Xangô e depois aos demais Orixás
Ado oferecido a Ogum
Amalá oferecido a Xangô
Axoxô oferecido a Oxossi
Carurú oferecido a São Cosme e São Damião e também a Xangô
Deburu ou Doburu oferecido a Omulu e Obaluaiyê
Efó oferecido a Nanã
Xixim de galinha oferecido a Oxum

A comida dos santos

Celebra-se São Cosme e São Damião em setembro com um grande caruru. O que não quer dizer que só o caruru seja servido. Vatapá para quem não gosta de caruru; efó para quem não come carne nem peixe; moqueca para quem não gosta vatapá nem de caruru nem de efó; xinxim para quem não come folha... É preciso agradar a todos. Cosme e Damião são celebrados na mesa do rico e do pobre. Nos terreiros de Candomblé o ritual é rígido, mas festivo. Sete crianças são escolhidas para iniciarem a comilança. Sentadinhas no chão, as eleitas comem sem talheres admiradas por todos os outros convivas que só depois desse ritual poderão se servir das delicias oferecidas aos santos. Os carurus são monumentais: os quiabos são contatos por unidade e as promessas são feitas baseadas no numero de quiabos. Prometem-se mil, quatro mil quiabos e por ai afora. Os carurus espalham-se pela cidade e arrastam-se pelo mês de outubro adentro.
Cada santo ou orixá tem as suas preferências culinárias. Os filhos de santo oferecem, com os seus devidos rituais, aos seus orixás os pratos de seu agrado. Iansã adora acarajé. Xangô, marido Iansã, gosta muito de caruru. Oxum, a segunda mulher de Xangô, delicia-se com um xinxim de galinha e adum, uma mistura de farinha de milho, mel e azeite doce. Obá, também mulher de Xangô, gosta de ovos preparados de qualquer maneira. Oxalá gosta de cuscuz, Ogum de vatapá, Oxóssi prefere abóbora ou milho. Nanã more de amores por um efó de lingua-de-vaca e Omulu por pipoca.
Como em toda parte do Brasil, os santos populares recebem as honras gastronômicas do mês de junho. São João sempre foi uma festa importante e, durante muitíssimos anos, teve importância superior à do Natal. É o tempo do licor de jenipapo preparado religiosamente pelos especialistas da família, que trancam a sete chaves o segredo de sua iguaria. Da cozinha também saem às receitas das canjicas e mungunzás em travessas fartas e enfeitadas.

Algumas Historias

Não que ela seja gulosa. Mas, para agradar a Iemanjá, deve-se preparar uma canjica branca, cozida apenas em água. E, por cima das pequenas pérolas de milho, convém enfeitar com camarões defumados e refogados em cebola. Mas nada de dendê. A Senhora das Águas gosta apenas de azeite doce, como o óleo de oliva é conhecido no Nordeste. Na preferência da rainha dos sete mares, há espaço apenas para a chamada comida branca, que também alimenta o pai Oxalá, com que é casada.
Enquanto Iemanjá satisfaz o apetite com ebô-yiá (canjica branca com camarão defumado), manjar-branco e arroz-de-hauçá, as outras entidades do candomblé têm suas preferências à mesa. Exu aprecia farofa de dendê, Iansã, bolinhos de acarajé, e Oxóssi, axoxô, o milho vermelho cozido com coco e mel. Tratados como santos pela maioria dos adeptos do candomblé, os orixás estão mais próximos da mitologia grega que do cristianismo. Os deuses africanos têm algo de quase humanos em suas paixões, sempre exacerbadas. Diferentemente dos santos a que estão associados no catolicismo - sincretismo usado pelos escravos de origem africana para driblar o monopólio cristão da casa-grande -, os orixás são mais tolerantes com os pecados capitais e demonstram uma predileção especial pela boa mesa. Tanto que, no dia 30 de dezembro, os terreiros da Bahia preparam o banquete aos orixás. É quando se pede que o ano que entra seja de fartura e prosperidade.
Diferentemente do caso dos gregos, em que a Ambrósia e o néctar estavam reservados somente aos deuses, depois de servirem o santo, os fiéis podem saborear os pratos do candomblé. Essa partilha da mesma comida no caso da religião afro-brasileira influenciou nossos hábitos alimentares.
As celebrações do candomblé são banquetes pantagruélicos, uma explosão de fartura. Cada refeição compõe-se de múltiplos pratos principais e seus acompanhamentos variados. A elaboração dessas receitas segue normas rígidas, que devem ser respeitadas. Não há um chef como num restaurante, mas quem zela pelo fogão é a iabassê, que dentro da rígida hierarquia do candomblé detém o cargo vitalício de responsável pela cozinha. Embora parecida, a comida de preceito tem diferença daquela feita na cozinha das casas e dos restaurantes. Usado em diversos pratos, em especial no caruru, o quiabo exibe vários tipos de corte. Tudo depende da entidade para a qual vai ser oferecido. É cortado miudinho, por exemplo, quando dedicado aos Ibejis, dupla entidade infantil sincretizada por São Cosme e São Damião.
Apesar de os santos serem os mesmos, ocorrem grandes variações, quando se comparam as oferendas culinárias em diferentes Estados brasileiros. No Rio de Janeiro, por exemplo, onde o candomblé tem a mesma dimensão e importância que na Bahia, Exu come churrasco preparado com a carne dos animais abatidos em sacrifício; Iansã, um bolinho de gemas de ovos. Essas discrepâncias acontecem em virtude do fato que os antigos escravos procediam de diferentes nações africanas. Ao cruzarem o Atlântico, eles tiveram de fazer diversas adaptações em seus pratos. O antropólogo Raul Lody, autor de Santo também Come (Pallas, 1998), explica que receitas de milho são uma invenção brasileira, uma vez que esse vegetal de origem americana não existia na África antes do descobrimento. Outra interessante incorporação foi a da farinha de mandioca, transformada em várias farofas.
Em suas pesquisas, Lody conclui que as comidas usadas em rituais africanos não tinham a exuberância da registrada nos candomblés da Bahia. Do outro lado do oceano, a comida de orixá continua a ser feita basicamente de inhame, dendê e algumas raízes e sementes desconhecidas no Brasil. Não por acaso sincrético, o candomblé recebeu diversas influências profanas. A comida branca de Iemanjá, por exemplo, passou a ser preparada com o óleo de oliva, legado pelos portugueses. Já o azeite-de-dendê, óleo ritual, deixou a circunscrição dos terreiros para virar uma identidade da culinária baiana. Aliás, poucas pessoas não confundem a comida de santo com a cozinha da Bahia.
O caruru de Cosme e Damião
Cosme e Damião — os Igbêji nagôs — são objeto de grande culto essencialmente doméstico, familiar, na Bahia.
Muitas famílias têm duas pequenas velas sempre acesas diante da imagem dos "meninos": os gêmeos são casamenteiros, ajudam a encontrar objetos perdidos, protegem contra doenças, "abrem os caminhos", isto é, mudam, para melhor, a sorte dos devotos. Diante desta imagem, nos dias de quarta-feira e de sábado, põem-se pequeninos pratos de barro com caruru e quartinhas de água nova, da torneira. Esta água, ao ser mudada, não será jogada fora, pelo menos em lugar onde possa ser pisada: servirá para molhar plantas ou para beber, pois se acredita que a água das quartinhas dos santos comunique saúde.
Oficialmente os gêmeos têm a sua festa a 27 de setembro, dia que bate o recorde de casamentos entre as classes pobres. Mas cada família pode festejá-lo, arbitrariamente, em qualquer dia, desde que cumpra com certas obrigações estabelecidas pela tradição. Esta festa se chama "o caruru dos meninos".
Em casa, desde a véspera, os fogões disponíveis estão ocupados no cozimento dos petiscos que constituem "o caruru dos meninos" — caruru, feijão fradinho, abará, acarajé, galinha de xinxim, acaçá, banana da terra em azeite de dendê, milho branco, inhame, farofa de azeite de dendê com camarão, pipocas. De faca em punho, mulheres cortam roletes de cana, pedaços de coco. Outras fazem aluá, uma garapa de cascas de abacaxi e rapadura. Mas, de tudo isto, só é indispensável o caruru.
De todas estas comidas se deve pôr um pouco aos pés dos santos, antes que alguém se tenha servido delas, e, mais, os pés e a cabeça da galinha.
Toda essa influencia Africana juntamente com os Portugueses fazem hoje a nossa rica culinária que encontramos na Região Norte do nosso Brasil.
Chef Marcio Lopes "vamos cultivar a nossa cultura"

domingo, 13 de junho de 2010

A Herança Africana - Comidas dos Santos - Caruru

Vamos preparar um Caruru, esse prato é um dos que são oferecidos a São Cosme e Damião


Ingredientes
100 quiabos em pedaços
7 quiabos inteiros (para decorar o prato)
600 ml de azeite-de-dendê
4 cebolas grandes trituradas
300 g de camarão seco, um pouco triturado e o restante inteiro(adquira em casas de produtos do Nordeste)
250 g de amendoim
250 g de castanha-de-caju
Gengibre ralado a gosto
Sal a gosto.

Vamos Preparar
• Depois de picar os quiabos, refogue-os no azeite-de-dendê, com os quiabos inteiros, as cebolas e o gengibre.
• Acrescente um pouco de água e deixe cozinhar.
• Junte os camarões, o amendoim e a castanha, triturados ou batidos no liquidificador.
• Mexa sempre com a colher de pau. Corrija o sal, deixe apurar e sirva.

Conheça um pouco sobre a cultura escrava do Brasil - Nossa Herança Africana - Seus costumes e suas crenças.

Quem são os Igbejis para os Africanos e porque a associação com Cosme e Damião. Na África , as crianças representam a certeza da continuidade, por isso os pais consideram seus filhos sua maior riqueza. Preocupar-se com os sustento das crianças é frequente entre os povos negros, haja a vista a miséria das cidades africanas e a situação do negro na escravidão e na Diáspora. A palavra Igbeji quer dizer gêmeos e o orixá Igbeji é o único permanentemente duplo. Forma-se a partir de duas entidades distintas que coexistem, respeitando o princípio básico da dualidade. Os Igbejis são filhos paridos por Iansã, mas abandonados por ela, que os jogou nas águas. Foram abraçados e criados por Oxum como se fossem seus próprios filhos. Doravante, os Igbejis passam a ser saudados em rituais específicos de Oxum e, nos grandes sacrifícios dedicados à deusa , também recebem oferendas. Entre os deuses africanos, Igbeji é o que indica a contradição,os opostos que caminham juntos a dualidade de todo o ser humano, Igbeji mostra que todas as coisas, em todas as circunstância, tem dois lados e que a justiça só pode ser feita se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem ouvidos. Na África, O Igbeji é indispensável em todos os cultos. Merece o mesmo respeito dispensado a qualquer Orixá, sendo cultuado no dia-a-dia. Igbeji não exige grandes coisas, seus pedidos são sempre modestos; o que espera como, todos os Orixás, é ser lembrado e cultuado. O poder de Igbeji jamais podem ser negligenciado, pois o que um orixá faz Igbeji pode desfazer, mas o que um Igbeji faz nenhum outro orixá desfaz. E mais: eles se consideram os donos da verdade. Existe uma confusão latente entre o Orixá Igbeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. O Erê é o intermediário entre a pessoa e seu Orixá, é o aflorar da criança que cada um guarda dentro de si; reside no ponto exato entre a consciência da pessoa e a inconsciência do orixá. É por meio do Erê que o Orixá expressa sua vontade, que o noviço aprende as coisas fundamentais do candomblé, como as danças e os ritos específicos de seu deus. São duas divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Ao contrário dos erês, entidades infantis ligadas a todos os orixás e seres humanos, são divindades infantis, orixás-crianças. Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e brota: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas, etc. Seus filhos são pessoas com temperamento infantil, jovialmente inconseqüente; nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram. Costumam ser brincalhonas, sorridentes, irrequietas - tudo, enfim, que se possa associar ao comportamento típico infantil. Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em geral, podem então revelar-se teimosamente obstinadas e possessivas. Ao mesmo tempo, sua leveza perante a vida se revela no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se movimentar, sua dificuldade em permanecer muito tempo sentado, extravasando energia.

Lenda sobre os Igbejis
Outra lenda conta que os Igbejis são filhos paridos por Iansã e jogados nas águas. Oxun os abraçou e os criou como se fosse seus filhos. Todas as casas de candomblé têm por obrigação cultuá-los e tratá-los bem. Eles são confundidos por muitos como Orixás malucos, mas na verdade eles são crianças e como tais são muito difíceis de perdoar, pois são muito radicais. Eles exigem que cada um faça as coisas mais certas possíveis, o que faz com que as pessoas os temam. O seu culto é obrigatório, assim como o de Exú, pois eles comandam as forças positivas das casas de candomblé. Dizem os mais velhos que só existe uma pessoa feita em Igbeji no Brasil e está na Bahia. Na África os Ibejis são indispensáveis em todos os cultos, sempre. Eles são respeitados como Orixás de frente e estão sempre ao lado dos Orixás como a semente da fruta. Na África não precisa se esperar o dia 27 de setembro para comemorá-los, lá são cultuados no dia-a-dia como qualquer outro Orixá. Eles não perdem grande coisa, seus pedidos são pequenos, pois o mais importante para eles é serem lembrados e cultuados. O que o Orixá faz, os Erês podem desfazer, mas o que os Erês fazem nenhum Orixá desfaz. Eles se consideram os donos da verdade.

Chef Marcio Lopes "sempre com vocês" a nossa pátria de 500 anos está marcada pelas estórias do nosso povo escravo os Africanos. Muitas das nossas raízes estão em nossa culinária trazida e adaptada por esses povos que aqui trabalharam muito.

Quem nunca foi à Bahia? Andar por aquelas ruas nos leva a nossa verdadeira raiz. O cheiro do azeite de dendê, pelas escadarias logo nos leva a nossa verdadeira Herança Africana.

Conhecer um pouco nossa cultura nunca é demais.
Para saber mais sobre os Orixás, consulte www.sobresites.com, no meu blog eu tento passar um pouco da nossa cultura gastronômica mas não posso de deixar de mencionar sobre a cultura Africana.

sábado, 12 de junho de 2010

A Herança Africana - Comidas de Santos - Acarajé

Quem é Yansã? Saiba um pouco sobre ela.
Oyá recebeu, de Olorun, a missão de transformar e renovar a natureza através do vento, que ela sabe manipular. O vento nem sempre é tão forte, mas, algumas vezes, forma-se uma tormenta, que provoca muita destruição e mudanças por onde passa, havendo uma reciclagem natural. Normalmente, Oyá sopra a brisa, que, com sua doçura, espalha a criação, fazendo voar as sementes, que irão germinar na terra e fazer brotar uma nova vida. Além disso, esse vento manso também é responsável pelo processo de evaporação de todas as águas da terra, atuando junto aos rios e mares. Esse fenômeno é vital para a renovação dos recursos naturais, que, ao provocar as chuvas, estarão fertilizando a terra.
Apesar de dominar o vento, Oyá originou-se na água, assim como as outras iyabas, que possuem o poder da procriação e da fertilidade.
Conhecida no Brasil como Yansã, cujo nome advém de algumas formas prováveis: Oyamésàn - nove Oyàs; usado como um dos nomes de Oyà
Lenda de Yansã
Oyá foi desafiada pelos sacerdotes de sua aldeia, que duvidaram de sua capacidade de irrigar a terra. Para eles, sua única função era a de levantar o vento para espalhar as sementes. Sentindo-se muito ultrajada, resolveu mostrar a eles do que era capaz. Na frente de todos, rasgou ao meio um pano escuro de sua indumentária. Usando seus pés, colocou uma grande extensão de terra, onde esses panos foram jogados e, ao entrarem em contato com o solo, transformaram-se num grande rio.
O Acarajé é oferecido a Yansã

Ingredientes
5 xícaras ( 1 kg) de feijão-fradinho
2 colheres(chá) de sal
Azeite-de-dendê para fritar
1 cebola inteira
2 cebolas medias (250g) raladas

Como preparar
De véspera, coloque o feijão no copo do liquidificador e bata em velocidade alta somente para triturá-lo grosseiramente. Passe por uma tigela e lave sob água corrente para eliminar parte das cascas. Cubra com água e deixe de molho durante a noite. No dia seguinte, elimine o restante das cascas, escorra a água e coloque o feijão no copo do liquidificador. Junte o sal e bata em velocidade alta ate obter uma massa bem homogênea. Coloque numa tigela e reserve.
Coloque o azeite-de-dendê numa frigideira ate atingir cerca de 3 cm de altura e junte a cebola inteira, leve ao fogo alto e deixe aquecer bem. Enquanto isso acrescente a cebola ralada à massa de feijão e bata fortemente com uma colher de pau ate obter uma mistura bem fofa.
Quando a cebola que esta no óleo começar a soltar fumaça, prepare os acarajés: usando uma colher de sopa, coloque porções da massa de feijão no óleo quente e frite ate ficar dourado por igual. Retire com uma escumadeira e deixe escorrer em papel absorvente. Passe para um prato de servir e leve a mesa enquanto ainda estão quentes, acompanhados de molho de camarão e
molho de pimenta.

Molho de pimenta
Ingredientes
Cascas e cabeças de camarão
4 colheres (sopa)(60ml) de azeite-de-dendê
1 cebola grande(150 g) ralada
3 pimentas malaguetas bem amassadas

Preaqueça forno em temperatura media(180ºC). Elimine os olhos e as barbas dos camarões. Coloque as cascas e as cabeças já limpas numa assadeira, leve ao forno preaquecido e deixe ficarem torradas. Tire do forno, coloque no copo do liquidificador, bata em velocidade alta ate reduzir a pó e reserve.
Coloque o azeite-de-dendê numa frigideira e aqueça em fogo médio. Junte a cebola ralada e frite por 2 a 3 minutos. Acrescente o pó de camarão reservado, a pimenta malagueta amassada, misture rapidamente e tire do fogo. Passe para uma molheira e leve a mesa.

Molho de camarão
Ingredientes2 xícaras(150g) de camarões secos
4 colheres(sopa)(60ml)de azeite-de-dendê
1 cebola grande(150g)cortada em fatias finas
Descasque os camarões e reserve as cascas e cabeças para preparar o molho de pimenta.
Numa frigideira, coloque o azeite-de-dendê, leve ao fogo médio e deixe aquecer. Junte a cebola e frita por 2 a 3 minutos. Acrescente os camarões descascados e frite por mais 7 a 10 minutos. Tire do fogo, passe para uma molheira e leve à mesa.
Chef Marcio Lopes "sempre com vocês" nossa culinária é a nossa maior cultura.
"A energia sagrada dos Orixás é traduzida pela palavra AXÉ que é, igualmente, uma interjeiçao: assim seja!"

A Herança Africana - Comidas de Santos - Xinxim de Galinha

Quem é Oxum?
Oxum tem o poder do nascimento. Generosa e digna Oxum é a Deusa das águas doces, reina sobre os rios, a Orixá mais bela e mais sensual da religião, é a própria vaidade, dengosa, bondosa é a mãe que ama intensamente seus filhos. Também divindade do ouro e dos metais amarelos. O Ikodide é usado em homenagem a Oxum. Ela é o amor não importando suas dimensões. Ela representa a fecundidade.
Nunca se pisa no mesmo rio, portanto Oxum se renova explicando as grandes diferenças entre suas qualidades.
Mesmo quando guerreira Oxum não deixa de ser vaidosa. Correta e vaidosa, foi a segunda esposa de Xangô, tendo vivido anteriormente com Ogun, Orunmilá e Oxóssi. Maternal, carinhosa e muito afeita às crianças, amante da beleza e do adorno. Também é chamada de Iyálòóde, título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade. Seus axés são pedras do fundo do rio Oxum, jóias de ouro, no Brasil, pedras de rio e adornos de metal amarelo. Genitora por excelência, ligada particularmente à procriação. Deusa das águas doces, reina sobre os rios, também divindade do ouro e dos metais amarelos.

Lenda de Oxum
Houve um tempo em que os orixás masculinos se reuniam para discutir sobre a vida dos mortais e não deixavam as deusas participarem das decisões. Aborrecida com isso, Oxum fez com que as mulheres ficassem estéreis e então tudo deu errado na terra. Os orixás foram consultar Olorum e ele explicou que sem a presença de Oxum com seu poder sobre a maternidade, nada poderia dar certo. Os orixás, então, convidaram Oxum para participar das reuniões: as mulheres voltaram a ser fecundas e todos os projetos dos orixás tiveram bom resultado.

Xinxim de Galinha uma das comidas Oferecidas a Oxum

Ingredientes

1 galinha(3kg) limpa
6 dentes de alho amassados com 1 colher de (sopa)(15g) de sal
4 colheres(sopa)(60ml) de suco de limão
1 xícara(240m)de azeite-de-dendê
3 dentes de alho amassados
1 cebola grande(150g)cortada em rodelas finas
1 xícara(240ml)de água
500 g de camarões secos, sem casca.
2 colheres(sopa)(40g) de gengibre fresco ralado
½ xícara(70g)de amendoim torrado, sem casca e picado.
½ xícara(70g) de castanhas de caju picadas
Sal e pimenta malagueta picada a gosto

Como preparar
Corte a galinha em pedaços pequenos, eliminando a pele, se quiser. Coloque numa tigela e tempere com a mistura de alho e sal e o suco de limão. Tampe a tigela e deixe a galinha no tempero por 2 horas, no mínimo.
Coloque a metade do azeite-de-dendê numa panela grande, leve ao fogo médio e deixe aquecer. Junte os pedaços de galinha e frite, virando de vez em quando, ate ficarem bem dourados. Retire com uma espumadeira e reserve numa travessa.
Acrescente o alho e a cebola no azeite na panela e frite, mexendo, ate a cebola ficar macia. Junte os pedaços da galinha, o tempero que restou na tigela, os camarões e a água. Misture bem, tampe a panela e cozinhe em fogo brando, por cerca de 30 minutos ou ate a galinha ficar macia.
Acrescente o gengibre, o amendoim e as castanhas, misture e cozinhe por 5 minutos, mexendo de vez em quando. Prove o tempero e acrescente o sal e a pimenta malagueta a gosto. Junte o azeite restante e deixe aquecer. Tire o xinxim do fogo e passe para um prato de servir e leve à mesa acompanhado de arroz branco e Farofa amarela.

Chef Marcio Lopes "sempre com vocês" divulguem a cultura brasileira


Curiosidades: Oxalá, vem do árabe "in sa Allah", valendo ainda com interjeição: e queira Deus!....Tomara!...

A Herança Africana - Comidas de Santos - Vatapá

Quem é Ogum
Na mitologia yorubana, Ogun é um orixá filho, ou eborá. Olokun, senhor dos oceanos, e Oduduwa, orixá mais importante dessa cultura, são seus pais, ou criadores. Existem outras vertentes de conhecimento que dizem ser Ogun, filho de Orinshala (Oxalá) e Oduduwa, ou ainda Yemonjá e Oxalá.
Ogun é o que vem primeiro, o que está sempre à frente, um líder nato. Ele conhece e domina todos os caminhos, por isso nunca se perde e está sempre ajudando, quando corretamente evocado. É o deus do ferro, dos ferreiros e de todos que utilizam esse metal. Força da natureza que se faz presente nos momentos de impacto e nos momentos fortes. Considerado como um orixá impiedoso e cruel, temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos, ele até pode passar esta imagem, mas também sabe ser dócil e amável. É a vida em sua plenitude.É orixá da guerra. Seu nome, significa luta, batalha, briga. Os lugares consagrados a Ogum ficam ao ar livre, na entrada das casas e terreiros. Seus assentamentos geralmente são pedras em forma de bigorna junto às árvores. Ogum é representado também por franjas de palmeira ou dendezeiro desfiadas chamadas mariwo que penduradas nas portas ou janelas, representam proteção, cortando as más influências e protegendo contra pessoas indesejáveis. Sem sua permissão e proteção, nenhuma atividade útil, tanto no espaço urbano como no campo, poderia ser aproveitada. Além de poderoso guerreiro, é também um exímio caçador, assim como Odé, seu irmão. Ogun, que conhece os caminhos como ninguém, sabe onde encontrar sua caça. Ele não fica parado esperando, vai atrás dela, até conseguir capturá-la.
Lendas sobre Ogum
"Oya vivia com Ogum antes de ser mulher de Xangô. Ela ajudava Ogum no seu trabalho, carregava seus instrumentos, manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia Ogum deu a Oyá uma vara de ferro igual à que lhe pertencia, que tinha o poder de dividir os homens em sete partes e as mulheres em nove, caso estas se tocassem em uma briga. Xangô gostava de se sentar perto da forja para apreciar Ogum bater o ferro e sempre lançava olhares a Oyá e ela por sua vez, também lançava olhares a Xangô. Xangô era muito elegante. Sua imponência e seu poder impressionaram Oyá. Um dia Oyá e Xangô fugiram e Ogum lançou-se em perseguição deles. Encontrando os fugitivos, brandiu sua vara mágica, Oyá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. E assim que Ogum foi dividido em sete partes e Oyá em nove, recebeu o nome de Ògún Mejé e ela o de Iansâ".

O Vatapá é uma das comidas oferecidas a Ogum
Ingredientes
700 gr de bacalhau (pode substituir por postas de peixes)
1 cebola grande(150g) cortado em pedaços
2 dentes de alho
2 tomates grandes(300g)sem pele e sem sementes, cortado em pedaços.
1 pimentão vermelho médio(120g)sem sementes, cortados em pedaço.
¾ xícara de folhas de coentro
2 pães de forma(cerca de 700gr) sem casca(pode ser outro tipo de pão mas amanhecido e sem casca)
1 xícara(240ml) de água
3 xícaras(720ml)de leite de coco
½ xícara(120ml) de azeite-de-dendê
1 xícara (75g) de camarões secos, sem casca e sem cabeças.
2 colheres(sopa)(40g) de gengibre fresco ralado
1 xícara(140g) de castanhas de caju picadas
Sal e pimenta do reino a gosto

Como fazerColoque o bacalhau numa tigela, cubra com água fria e deixe de molho por 36 horas, trocando a água 3 a 4 vezes(deixe a tigela na geladeira). No dia seguinte, escorra o bacalhau e elimine a pele e as espinhas.
Passe o bacalhau na maquina de moer o no processador de alimentos junto com a cebola, os dentes de alho, os tomates, os pimentões e as folhas de coentro. Coloque a mistura numa tigela, cubra com filme plástico e deixe pegar gosto.
Enquanto isso, numa tigela grande, esmigalhe o pão com as mãos. Umedeça com a água e 1 xícara do leite de coco e deixe de molho por, no mínimo, 30 minutos. Coloque o pão no copo do liquidificador, bata em velocidade alta ate triturar bem e passe para um tigela.
Numa panela grande, coloque o azeite-de-dendê, leve ao fogo alto, deixe aquecer e junte a mistura de bacalhau e camarões secos. Cozinhe, mexendo de vez em quando com uma colher de pau, por 15 a 20 minutos.
Acrescente o pão e o leite de coco restante, e continue a cozinhar, mexendo sempre, ate surgirem bolhas na superfície da mistura. Junte o gengibre e as castanhas de caju, cozinhe por mais 5 minutos, verifique o tempero e acrescente sal e pimenta a gosto, tire do fogo, passe para uma tigela de barro, de preferência, e leve a mesa.

Chef Marcio Lopes "sempre com vocês" divulgando a cultura brasileira

O Chef Fala: Digno de nota é o Vatapá de carne de porco, cuja receita original foi publicada em "Cozinheiro Imperial", Rio de Janeiro, atestando a riqueza deste prato festejado só varias roupagens.
O vatapá pode ser feito com galinha ou com sobras de peixe como robalo, badejo ou namorado. igualmente se pode usar o bacalhau. Quanto à técnica do preparo, guarda uma semelhança com a açorda portuguesa, mas é o azeite de dendê africano que lhe dá o dourado característico e é a castanha de caju juntamente com o amendoim que lhe emprestam o charme brasileiro deste prato. Já dizia Câmara Cascudo: "O Vatapá continua evoluindo, complicando-se na elaboração culinária......ele está crescendo".

A Herança Africana - Comidas de Santos - Efó

Efo - Comida oferecida a Nanã

E quem é Nanã?
Sendo a mais antiga divindades das águas, ela representa a memória ancestral de nosso povo; é a mãe antiga (Ìyá Agbà) por excelência. É a mãe dos orixás Iroko, Obaluayê e Oxumare, é respeitada como mãe de todos os outros orixás. Nànà é o princípio, meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte. Ela é a dona do Axé por ser o orixá que dá vida e a sobrevivência, a senhora dos Ibás que permite o nascimento dos deuses e dos homens. As águas paradas e lamacentas dos pântanos tem uma aparência morta e a primeira vista ninguém imagina que por trás daquelas águas possa existir a vida, que sobe a benção de Nànà a vida de plantas de grande fundamento como o oxibatá e oju-oro é possível. Essas plantas buscam nas profundezas das lagoas, na lama, a vida e o sustento. Nànà é a alma da água que permite ao oju-oro e ao oxibatá nascer, viver e florescer.

Lenda sobre Nanã
Dizem que quando Olorum encarregou Osalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o Òrìsà tentou vários caminhos. Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada. Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Osalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã. Osalá criou o homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos òrìsà povoou a Terra. Mas tem um dia que o homem tem que morrer. O seu corpo tem que voltar à terra, voltar à natureza de Nanã. Nanã deu a matéria no começo mas quer de volta no final tudo o que é.

Vamos fazer nosso Efó

Ingredientes:
Camarão seco 300 gramas
Azeite de oliva 60 ml
Alho amassado 05 dentes
Cebola picada 400 gramas
Azeite de dendê 30 ml
Taioba cozida e bem picada 05 molhos
Leite de coco 400 ml
Castanha de caju torrada e picada 30 gramas
Gengibre ralado 1 colher de sopa
Sal a gosto QB

Modo de Preparo:
1. Limpar e aferventar os camarões. Reservar
2. Aquecer o azeite de oliva, refogar o alho e a cebola.
3. Acrescentar o dendê, o camarão e as folhas de taioba. Mexer
4. Juntar o leite de coco, as castanhas e o gengibre.
5. Temperar com pimenta a gosto.
6. Corrigir o sal.
7. Decore o prato, com camarões fritos em dendê.


Chef Marcio Lopes "sempre com vocês"